Principais Pragas em Sistemas Hidropônicos e Como Combatê-las

Cultivar plantas em sistemas hidropônicos oferece diversas vantagens, como maior controle sobre nutrientes e uso eficiente da água. No entanto, é essencial estar atento às pragas que podem afetar a saúde das plantas e a eficiência do sistema. Abaixo, destacam-se algumas das principais pragas em sistemas hidropônicos e estratégias para seu controle.​

Tripes (Frankliniella occidentalis)

Os tripes são insetos pequenos e finos, geralmente medindo cerca de um milímetro. Sua presença é muitas vezes discreta, tornando-se perceptível pelos danos que causam às plantas. Eles raspam a superfície das folhas e caules, deixando uma aparência prateada. Infestações severas podem levar à diminuição da produtividade e qualidade das plantas.

É uma das pragas mais comuns e destrutivas em cultivos hidropônicos. Ele se alimenta das células das plantas, causando danos diretos e podendo transmitir vírus que afetam o crescimento das culturas.

Características do Tripes

Tamanho: Pequeno, medindo entre 1 a 2 mm.

Cor: Varia do amarelo-claro ao marrom-escuro, dependendo do estágio de vida.

Asas: Possui asas franjadas que permitem sua dispersão pelo ambiente.

Ciclo de Vida: Completa seu ciclo em 7 a 14 dias, dependendo da temperatura e umidade.

Reprodução: As fêmeas podem colocar até 300 ovos, o que favorece uma rápida infestação.

Danos Causados nas Plantas Hidropônicas

Alimentação:

O tripes suga os fluidos das células das folhas, flores e frutos, causando:

Manchas prateadas ou amareladas nas folhas.

Enrugamento e deformação das folhas e brotos.

Crescimento atrofiado devido ao estresse causado pela alimentação da praga.

Transmissão de Vírus:

O tripes é um vetor de vírus como o TSWV (Tomato Spotted Wilt Virus), que pode devastar cultivos hidropônicos.

As plantas infectadas apresentam manchas necróticas, deformação e queda prematura de folhas.

Impacto na Produção:

Redução do crescimento e baixa produtividade.

Qualidade dos frutos e folhas comprometida.

Dificuldade no controle devido ao rápido ciclo reprodutivo.

Controle:

Monitoramento Regular: Realize inspeções frequentes nas plantas para identificar sinais precoces de infestação, como manchas prateadas nas folhas e presença de adultos.​

Uso de Armadilhas Adesivas: Implemente armadilhas amarelas ou azuis próximas às plantas para capturar os adultos e reduzir a população de tripes.

Introdução de Predadores Naturais: Considere a liberação de inimigos naturais, como os ácaros predadores Neoseiulus cucumeris e Amblyseius swirskii, que auxiliam no controle biológico dos tripes.

Aplicação de Inseticidas Naturais: Utilize produtos à base de óleo de neem ou extratos vegetais para combater os tripes de maneira eficaz e sustentável.

Mosca-Branca (Bemisia tabaci)

A mosca-branca (Bemisia tabaci) é uma praga de grande impacto em cultivos hidropônicos, pois causa danos diretos e transmite vírus que comprometem a produtividade das plantas. Esses insetos sugadores se multiplicam rapidamente, tornando o controle um grande desafio para os produtores.

Características da Mosca-Branca

Tamanho: Pequeno, cerca de 1 a 2 mm.

Cor: Corpo amarelado com asas brancas translúcidas.

Ciclo de vida: Aproximadamente 15 a 30 dias, dependendo das condições ambientais.

Reprodução: Cada fêmea pode depositar até 300 ovos na parte inferior das folhas.

Ambiente favorável: Prefere temperaturas quentes e umidade moderada, comuns em estufas hidropônicas.

Danos Causados nas Plantas Hidropônicas

Dano Direto:

As ninfas e os adultos sugam a seiva das plantas, reduzindo sua vitalidade.

Causa amarelamento, murcha e queda prematura das folhas.

Enfraquecimento geral da planta, impactando seu crescimento.

Dano Indireto (Transmissão de Vírus):

Vetor de vírus como o Geminivírus, que afeta culturas como tomate e pimentão.

As plantas infectadas apresentam mosaicos, deformações e necrose nas folhas.

Produção de Honeydew e Fumagina:

A mosca-branca excreta honeydew (uma substância açucarada) que favorece o crescimento de fumagina (fungo negro que cobre as folhas e reduz a fotossíntese).

A presença de fumagina compromete a qualidade e o desenvolvimento das plantas.

Métodos de Controle

Controle Preventivo
Monitoramento constante com armadilhas adesivas amarelas.
Uso de telas anti-insetos para evitar a entrada da praga.
Evitar o acúmulo de plantas hospedeiras próximas ao cultivo.

Controle Biológico

Uso de inimigos naturais, como: Vespas parasitas (Encarsia formosa e Eretmocerus spp.), Joaninhas e crisopídeos, predadores naturais da praga.

Controle Químico (Última Opção)
Aplicação de óleo de neem, que reduz a reprodução da praga.
Uso de inseticidas biológicos, como Beauveria bassiana.
Rotação de produtos para evitar resistência da mosca-branca.

Fungos Patogênicos (Pythium, Fusarium, Botrytis)

Os fungos patogênicos são uma ameaça constante em sistemas hidropônicos, pois se proliferam rapidamente em ambientes úmidos e afetam severamente o desenvolvimento das plantas. Os principais fungos que atacam cultivos hidropônicos são Pythium, Fusarium e Botrytis, cada um causando doenças específicas que comprometem a produtividade e a qualidade das plantas.

Fungos como Pythium, Fusarium e Botrytis atacam as raízes e caules das plantas, causando podridão e murcha. Eles se desenvolvem em ambientes com alta umidade e pouca oxigenação.

Pythium spp. (Podridão Radicular)

Um dos principais agentes da podridão radicular em sistemas hidropônicos. Ocorre quando há excesso de umidade, baixa oxigenação da solução nutritiva e temperatura elevada.

Sintomas:

Raízes escurecidas, viscosas e com odor desagradável.

Folhas murchas e amareladas, mesmo com nutrição adequada.

Crescimento lento ou morte súbita das plantas.

Prevenção e Controle:

Manter a temperatura da solução abaixo de 22°C.

Uso de peróxido de hidrogênio ou ácidos húmicos para esterilizar o sistema.

Aeração adequada da solução nutritiva para evitar estagnação.

Aplicação de microrganismos benéficos, como Trichoderma spp..

Fusarium spp. (Murcha de Fusarium)

Fungos do gênero Fusarium atacam raízes, caule e vasos condutores, bloqueando a absorção de água e nutrientes. Se espalham rapidamente em sistemas hidropônicos fechados.

Sintomas:

Murcha das folhas, começando pelas mais velhas.

Estrias marrons ou avermelhadas no caule.

Necrose das raízes e morte progressiva da planta.

Prevenção e Controle:

Uso de sementes e mudas saudáveis para evitar introdução do fungo.

Desinfecção regular do sistema com hipoclorito de sódio ou peróxido de hidrogênio.

Controle do pH da solução nutritiva para evitar condições favoráveis ao fungo.

Aplicação de bactérias benéficas, como Bacillus subtilis.

Botrytis cinerea (Mofo Cinzento)

O Botrytis cinerea é um fungo aéreo, afetando folhas, caules e frutos. Ele se desenvolve em ambientes úmidos e com pouca circulação de ar, causando necrose e apodrecimento dos tecidos vegetais.

Sintomas:

Manchas marrons nas folhas e caules.

Formação de mofo cinzento nos tecidos afetados.

Apodrecimento e queda de flores e frutos.

Prevenção e Controle:

Reduzir a umidade dentro da estufa ou área de cultivo.

Melhorar a ventilação e circulação de ar no ambiente.

Evitar acúmulo de resíduos vegetais no sistema.

Aplicação de fungicidas biológicos, como Trichoderma harzianum.

Algas no Sistema Hidropônico

As algas são um dos desafios mais comuns em sistemas hidropônicos. Embora não sejam diretamente prejudiciais às plantas, seu crescimento descontrolado pode causar diversos problemas, como entupimento de tubulações, competição por nutrientes e redução da oxigenação da solução nutritiva.

Problemas Causados pelas Algas na Hidroponia

Consumo de Nutrientes:
As algas competem diretamente com as plantas pelos nutrientes dissolvidos na solução hidropônica, reduzindo sua disponibilidade e impactando o crescimento vegetal.

Redução da Oxigenação:
O acúmulo de algas pode diminuir a concentração de oxigênio na solução nutritiva, prejudicando a absorção de nutrientes pelas raízes e favorecendo o desenvolvimento de fungos patogênicos, como Pythium.

Entupimento de Tubulações e Filtros:
O crescimento excessivo de algas pode obstruir tubulações, gotejadores e filtros, dificultando a circulação da solução nutritiva e comprometendo a eficiência do sistema.

Proliferação de Microrganismos Nocivos:
Ambientes ricos em algas favorecem a proliferação de microrganismos prejudiciais, aumentando o risco de doenças nas plantas.

Como Controlar o Crescimento de Algas no Sistema Hidropônico?

Evitar Exposição à Luz
A luz é um dos principais fatores que favorecem o crescimento de algas. Para minimizar esse problema:

Utilize reservatórios opacos ou pinte os tanques para evitar a entrada de luz.

Cubra tubulações e canais de fluxo de solução para bloquear a iluminação direta.

Evite recipientes transparentes, pois permitem a penetração da luz e incentivam o crescimento de algas.

Manutenção e Limpeza Regular

Faça a limpeza frequente dos reservatórios, tubulações e filtros para remover resíduos e evitar o acúmulo de algas.

Utilize hipoclorito de sódio (cloro diluído) ou peróxido de hidrogênio para desinfetar o sistema antes de cada novo ciclo de cultivo.

Uso de Produtos Biológicos ou Químicos

Aplicação de peróxido de hidrogênio (H₂O₂) ou ácido peracético em concentrações seguras pode ajudar a eliminar as algas sem prejudicar as plantas.

Introdução de microrganismos benéficos, como algumas espécies de Bacillus, pode reduzir o crescimento de algas e melhorar a saúde do sistema.

Controle da Qualidade da Água

Manter o pH da solução nutritiva na faixa ideal (5,5 – 6,5) ajuda a evitar o crescimento excessivo de algas.

Larva Minadora (Liriomyza spp.)

A larva minadora (Liriomyza spp.) é uma praga comum em cultivos hidropônicos, atacando diversas espécies vegetais, especialmente hortaliças como alface, tomate, pimentão e ervas aromáticas. Essa praga causa danos ao se alimentar do tecido interno das folhas, formando galerias que reduzem a capacidade fotossintética das plantas e comprometem seu desenvolvimento As larvas minadoras, pertencentes ao gênero Liriomyza.

Como Identificar a Larva Minadora?

Adulto: Pequena mosca de coloração amarela e preta, medindo cerca de 2 mm. As fêmeas perfuram as folhas para depositar ovos e se alimentar da seiva.

Larva: Pequenos vermes esbranquiçados que vivem dentro das folhas, escavando túneis sinuosos (as “minas”).

Sintomas:
Galerias (minas) translúcidas nas folhas, em formatos irregulares.
Pontos de perfuração (causados pelos adultos ao se alimentarem e depositarem ovos).
Amarelamento e queda prematura das folhas, reduzindo a produtividade das plantas.

Controle:

Remoção de Folhas Infestadas: Retire e descarte folhas afetadas para reduzir a população de larvas.​

Controle Biológico

Introdução de inimigos naturais, como as vespas parasitoides Diglyphus isaea e Opius dissitus, que atacam as larvas da minadora.

Uso de extratos naturais, como óleo de neem, que tem efeito repelente e inibe o desenvolvimento das larvas.

Controle Químico Seletivo

Aplicação de inseticidas biológicos, como o Spinosad, que é eficaz contra larvas sem prejudicar insetos benéficos.

Evitar o uso excessivo de inseticidas sintéticos, pois podem levar ao desenvolvimento de resistência da praga.

Barreiras Físicas e Preventivas

Uso de telas anti-insetos em estufas para impedir a entrada das moscas adultas.

Armadilhas adesivas amarelas para capturar os adultos e reduzir a população.

Manutenção da higiene do ambiente hidropônico, removendo restos de plantas infestadas para evitar a propagação da praga.

Estratégias Preventivas Gerais para Controle de Pragas em Sistemas Hidropônicos

A adoção de práticas preventivas é essencial para manter a saúde das plantas e a eficiência dos sistemas hidropônicos. A seguir, destacam-se algumas estratégias fundamentais:​

Uso de Sementes e Mudas Certificadas: Inicie o cultivo com materiais de plantio livres de patógenos e pragas, adquirindo sementes e mudas de fontes confiáveis.​

Manutenção da Higiene do Sistema: Realize limpezas periódicas dos componentes do sistema hidropônico, como reservatórios e tubulações, para evitar infestações. ​

Monitoramento Contínuo: Inspecione regularmente as plantas para identificar precocemente sinais de infestação, permitindo ações corretivas antes que se tornem problemas significativos. ​

Controle Ambiental: Mantenha condições ambientais ideais, como temperatura e umidade adequadas, para dificultar a proliferação de pragas.

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